quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Habitats de herpetofauna e pteridófitas




As serras de Couce – Santa Justa (367 m), Pias (385 m) e Castiçal (324 m) – constituem um maciço montanhoso de grande valor natural e paisagístico, caracterizado pela presença de um complexo sistema de “fojos” (galerias subterrâneas resultantes da exploração aurífera romana), minas, pequenas nascentes e linhas de água, que criam condições particularmente favoráveis para a herpetofauna associada a ambientes húmidos. Dos vários habitats deste espaço natural, os ”fojos”, por acolherem um conjunto único de pteridófitas, albergarem uma importante população de salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), um anfíbio endémico da Península Ibérica, e constituírem locais de abrigo fundamentais para o morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), uma espécie “Em Perigo” . Com efeito, trata-se de um local particularmente relevante em termos de património botânico, onde subsistem matas ribeirinhas de choupos (Populus sp.) e salgueiros (Salix sp.), e vegetam várias espécies de plantas-carnívoras, associadas a ambientes húmidos e pantanosos, como a pinguícola-lusitânica (Pinguicula lusitanica) e as droseras (Drosera rotundifolia e Drosera intermedia). Os “fojos” das serras de Valongo e um pequeno troço do rio Ferreira são os únicos locais do país onde é possível encontrar três espécie extremamente raras de pteridófitas. Designadamente, as espécies Culcita macrocarpa e Trichomanes speciosum, verdadeiras relíquias paleotropicais que em Portugal apenas vegetam nos respiradouros e galerias das antigas minas auríferas romanas, e a espécie Lycopodiella cernua, um pequeno feto de aspecto arborescente, que tem nos terrenos alagadiços e parte inundada dos caminhos próximos do rio COUCE, o único local conhecido de ocorrência em toda a Europa Continental E ARREDORES.

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