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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um burro pensador...


Sousa Gaio o moleiro de Couce e o seu fiel amigo, o burro maltês, caminhavam em silêncio por um carreiro das cercanias da Serra da Pia em mais uma jornada árdua do carrego da farinha. Quando chegaram perto das fragas do diabo, sentaram-se à sombra de um sumptuoso carvalho para o repasto. Gaio comeu uma refeição simples que trazia na sua marmita de alumínio constituída por batatas com couves, toucinho de porco, uma morcela de sangue e couves-galegas da horta acompanhados do respectivo néctar: o tinto americano. Quanto à refeição do seu fiel burro, esta era constituída por uma mão cheia de milho, outra mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Após o simples repasto, maltês quebrou o silêncio, fazendo uma pergunta ao seu amo e senhor: - meu amo, como entro no Nirvana? Gaio permaneceu em silêncio sepulcral. Passaram-se quase cinco minutos e maltês aguardava ansiosamente por uma resposta. Nisto, quando estava quase a fazer outra pergunta o moleiro de repente falou. - Consegues ouvir o som da água do rio? Maltês não tinha consciência de nenhum rio nas proximidades, pois sempre se ocupou mais em pensar sobre o significado do Nirvana já que via-se sempre no inferno daquele vai e vem diário que fazia mossa nas suas queridas patas e as deixava em chaga. No inicio não enxergava nada, depois lentamente lá foi pondo os seus sentidos em estado de alerta amarela, ao que se seguiu o laranja e finalmente o vermelho até que por fim lá foi conseguindo ouvir o rumorejo das águas ao longe. – Sim, agora estou a ouvir o som das águas! Gaio olhou-o com um olhar doce e manso e disse: entra agora no Nirvana Maltês ficou atordoado e sem saber o que o seu amo dizia. Continuaram a percorrer o caminho pedregoso em silêncio e Maltês começou a surpreender-se com toda a vivacidade que o envolvia e que nunca tinha reparado antes no carreiro que tantas vezes tinha calcorreado. Em êxtase e com avidez desfrutou de tudo como se fosse a primeira vez. Mas, eis que começa de novo a pensar a pensar…com os seus botões e não demorou muito a que fizesse nova pergunta ao seu amo e senhor. Amo, tenho estado a cogitar cá com os meus botões que me pregaste na albarda. - O que me dizia se eu não fosse capaz de ouvir o ruído das águas do leito do rio de Couce? O amo voltou a dizer: entra no Nirvana a partir daqui.
A PENSAR A PENSAR…MORREU UM BURRO!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jegue Xabreggas


O ganha-pão de Ti Jangana, depende e muito deste dócil asno. Xabregas, o mais velho de dois nascidos de cesariana, com toneladas de milho e farinha transportados no lombo, tem os cascos desgastados e em chaga. Ti Jangana lamenta-se, mas pouco pode fazer. Xabregas não pode parar. Só quando adoece com cólicas ou enchaquecas goza férias no estábulo. Nessa altura, os duzentos quilogramas de farinha ou cereal que o Xabregas transporta diariamente, são divididos em sacos de vinte e cinco quilogramas e a cabeça ou as costas dos filhos do Mateus da Ponte, substituem-no no transporte. De solipas, chancas, socas ou descalço, Ti Jangana faz em passo ligeiro, sob sol, frio, chuva ou precipitação atmosférica o itinerário palmilhado, durante mais de vinte anos, conjuntamente com o corajoso e indómito animal.
Xabregas conhece, sem equívoco todas as casas por onde passa e pÁra sempre sem aviso prévio para o relincho de bom dia por toda a gente que passa. Ti jangana pode dormitar a cavalo no jumento ou acompanhá-lo a pé a cambalear que o animal nunca deixa de fazer a respectiva paragem, chega mesmo a chamar a atenção do dono com um relincho. Dado que a maior parte das casas de couce até ao alto do ramalho recebem diariamente a visita do moleiro, é costume dizer-se de quem pÁra para conversar com todas as pessoas que encontra no caminho: - “es como o burro do moleiro!... paras em todas as portas”!...

domingo, 23 de agosto de 2009

Equus asinus - o jegue do Ti Zé Jangana


«Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube», dizia Gil Vicente.
Porque diria isto?
Gil Vicente não era homem que preferisse «andar de cavalo para burro»

Desta mula de Couce contam-se muitas histórias. Animal espantadiço, havia de derrubar o dono - Ti Zé Jangana, corria o ano de 1948, tendo com um couce causado grave traumatismo numa das suas pernas de que viria a falecer. Em todas as histórias subjaz a mulice, uma esperteza e manha própria deste solípede e de muitos bípedes casmurros de orelhas pequenas.
Daí o dito:

«Mula que faça hi! hi! e mulher que saiba latim não a quero para mim»


A herdeira da mula, a viúva Ti Alzira, mulher de Ti Jangana, continuou o seu trabalho de moleira e a vender a farinha nas padarias de Valongo para a confecção da regueifa. Depois a idade ditou o fim da mula e a chegada do pão de plástico ditou o fim da artesã da panificação. A mulher continuou ainda por longos anos cultivando a horta do Ti Jangana cuja presa em tempo de rega era despejada de mnhã e enchida à tarde. De noute vazava...

o moinho das Oliveiras


Foi construido de 1830 a 1840 e ainda funciona, exclusivamente a água; nunca tendo sido restaurado. Actualmente, não trabalha para as padarias, só para casa para o fabrico do pão caseiro.
Situa-se num vale, em Couce, no lugar do Pedregulho. As suas paredes são feitas de lages e granito. O telhado é de lousa. Tem de largura 5 metros e de comprimento 11 metros. No seu interior tem 4 mós mas só uma trabalha, por estar cansada.

sábado, 22 de agosto de 2009

O moinho do Vicente de Couce


Conhecido como a Azenha do Vicente e foi construIdo em 1784. As paredes são de lages e pedras duras da região, como o granito. O telhado já foi de lousa, mas, neste momento é de telha. Pertence a Joaquim da Silva Moura e possui uma mó que está em funcionamento.É local de convívio, onde o presunto e a boroa caseira abundam. A VINHAINHA pinta beiços é também forte atracção da casa jorrando a rodos pelas beiças dos sequiosos apreciadores, inundando, em horas de alegria e contentamento, todo o chão da adega chegando a dar uma coloração muito característica ao leito do rio Couce.

Em 1881 existiam 29 moinhos todos em funcionamento no rio Couce. Em 1986 existiam 23 moinhos mas só 4 em funcionamento. Em 1992 existem 18 moinhos (16 de Rod�zio e 2 Atafonas) só estando em funcionamento 4 (todos de Rod�zio). Hoje só 2
As Atafonas encontram-se uma na Aldeia de Couce e outra no Carvalhal.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Turismo Rural em Couce - Casa do moleiro


Casa do moleiro de Couce restaurada e transformada em alojamento rural.
Couce é uma aldeia de natureza comunitária situada no vale do Rio Couce, inserida no conjunto montanhoso, formado pela Serra de Santa Justa, Serra de Pias, e Serra de Castiçal, apresenta um ar maravilhosamente selvagem e natural.

O elemento principal empregado na construção das habitações são os blocos de quartzito, maiores ou menores provenientes dos escombreiros ou retirados do leito do Rio Couce, assim como a madeira de carvalho e sobreira, a ardósia e o granito. Os telhados são de telha nacional, mais conhecido por telha de caleira e até telha francesa, coexistindo com alguns telhados de ardósia.
Cada casa possui um palheiro com as suas eiras de ardósia servindo para guardar cereais, feijão, cebolas, batatas, vinho, feno e alforrecas.

A base da fertilidade dos terrenos está no estrume, vulgo pilha de esterco, e água choca que aduba as terras produzindo um aroma muito característico da ruralidade, e curtido nas cortes pelo gado, nomeadamente, porcos, bois e pela mula do moleiro. Outro contributo fundamental para esta fertilidade é dado pelas retretes que brotam cagalhões de variadissimas dimensões e o mijo que irriga os terrenos sempre verdejantes. As nascentes naturais abastecem as necessidades do consumo da população e ainda o lavadouro comum da aldeia.

Couce é pois uma aldeia primitiva, isolada e um pouco esquecida que conserva a sua beleza natural permitindo escapar ao stress quotidiano da cidade. Um local a visitar.

A casa da foto dispõe de uma cozinha tradicional com lareira, bentoinha, assustador de mosquitos e todos os utensilios culinários, nomeadamente uma varinha mágica e uma máquina a petróleo. Possui uma sala grande com 4 pufs e um candelabro de azeite, 1 quarto de casal com 1 cama de ferro com colchão de palha e dois penicos, 2 retretes no quintal com dois bidés e um sotão com 2 camas individuais de folhelho donde se pode avistar a horta do Bicente. Os utentes têm à disposição a Piscina comum que é o rio couce, onde pode pescar salmonelas e focas à linha.

preços a partir de 60 euros /dia
As reservas são efectuadas com um depósito no valor de 50% na conta
nib oo374657902783
Pode entrar em contacto connosco pelo telefone n.º 913456229 (p.F). D. Lina