quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ESTADO, OPOSIÇÃO E GOVERNO

Sempre que se aproximam eleições é-nos impingido, em doses exageradas, o mito de que o Estado pode assegurar os nossos direitos, se for dirigido por homens políticos virtuosos. Para além de esta espécie de pássaro raro nunca ter sido observada sobre terra (basta pesquisar “político honesto” no Google, clicando em “Sinto-me com sorte”, para saber a verdade), o Estado não passa de um instrumento ao serviço da classe dirigente e dos interesses económicos de meia dúzia de clientes fiéis. Os Estados, fiadores da “ordem” económica e “garantes” da defesa e qualidade de vida dos cidadãos, não têm parado de controlar, restringir e esmagar os direitos desses mesmos cidadãos. Os braços deste polvo gigante, docilmente integrado por partidos, sindicatos, associações, organizações... são a voz do seu mestre, e em nada vectores eficazes de transformações sociais com vista à criação e justa distribuição de riqueza. A nossa sociedade continua a ser organizada economicamente com base na propriedade privada (recursos naturais, mercadorias, meios de produção, tecnologias), na troca pelo dinheiro, na concorrência e competição, no lucro como objectivo, na exploração das mulheres, dos homens e das crianças. A educação e a instrução escolar negam também a liberdade: praticam sem vergonha a selecção e a exclusão social (por exemplo, a História que se ensina é a do poder). A cultura de "massas" e de consumo ergue-se como sucedâneo da felicidade: a publicidade, mesmo a institucional, golpeia-nos constantemente com o slogan "consome, para seres feliz". A “democracia” já foi chão que deu (ou nunca chegou a dar) uvas, não adianta pensarmos que nas próximas legislativas teremos um partido vencedor que, mesmo com maioria relativa, irá ter uma oposição que exercerá contra-poder, representando os cidadãos que a elegeram e lutando pelos seus direitos.

5 comentários:

Anónimo disse...

a democracia deu uvas, o problema é que não foram em quantidade e qualidade suficiente para fazer bom vinho!!!

Mário Monteiro disse...

em quantidade até que deu, mas eram podres

Mário Monteiro disse...

Grande post Jorge, parabéns. Peço-te autorização para o copiar para a Cova, claro que o autor estará devidamente identificado.

Estou 500% (ou mais) de acordo.

Abraço.

Mário Monteiro disse...

meu amigo tens de dar um título a este post para eu o poder linkar

Seabra disse...

AUTORIZAÇÃO CONCEDIDA, CLARO!
JÁ COLOQUEI TÍTULO.
ABRAÇO